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Blumenau passa Joinville entre as melhores cidades para trabalhar
Por Agência Noticenter   
28 de julho de 2008

Catarinenses entre as 100  melhores para fazer carreira

CIDADE

Posição
em 2007
Posição
em 2008

Desempenho entre
2007 e 2008

Florianópolis 14 14 Ficou no mesmo lugar
Itajaí 48 25 Subiu 23 posições
Blumenau 58 54 Subiu quatro posicões
Joinville 57 58 Caiu uma posição
São José 88 71 Subiu 17 posições
Chapecó 84 83 Subiu uma posição
Criciúma 0 92 Voltou a figurar na lista
S. Bento do Sul 87 0 Saiu da lista

Fonte: Revista Você S.A. - Fundação Getulio Vargas - Julho 2008 Compilação: Noticenter

 

ENTENDA COMO É FEITA A PESQUISA

Neste ano, 127 cidades foram analisadas pela FGV-RJ, a partir de três indicadores: educação, vigor econômico e saúde. As cidades avaliadas fazem parte das 5% maiores do país, têm pelo menos 170 000 habitantes e 210 milhões de reais de depósitos à vista. Há algumas cidades que não atendem a esse critério, mas têm potencial de desenvolvimento profissional, diz Moisés Balassiano, coordenador da pesquisa.

OS CRITÉRIOS:
1 Educação (peso 3) - Número de matrículas e oferta de cursos de graduação, mestrado e doutorado.
2 Vigor econômico (peso 2) - Arrecadação do Imposto sobre Serviços (ISS) e Produto Interno Bruto (PIB) municipal, ambos per capita.
3 Saúde (peso 1) - Número de leitos e de profissionais de saúde para cada 1 000 habitantes.

(Extraído de Você SA)

A última edição da revista Você S.A. traz novamente o ranking das 100 melhores cidades brasileiras para fazer carreira, elaborado anualmente pela Fundação Getulio Vargas. A edição de 2008 da pesquisa traz sete cidades catarinenses na lista. Ocupando o 14º lugar entre todas as cidades brasileiras, mesma posição alcançada no ano passado, Florianópolis continua sendo considerada a melhor cidade catarinense para fazer carreira. O segundo lugar pertence a Itajaí, que subiu 23 posições, passando do 48º para o 25º lugar.

Cruzamento de dados realizado pelo Noticenter mostra que Joinville, que no ano passado ocupava a posição 57, caiu um ponto, passando para o 58º lugar. Com isso, perdeu a terceira colocação entre as cidades do estado para Blumenau, que subiu quatro posições, indo da 58ª para a 54ª posição.

Todas as cidades catarinenses presentes no ranking das melhores para fazer carreira já tiveram oscilações ao longo dos anos, ocupando posições mais altas ou mais baixas nas diversas edições. A cidade de São José é a única a manter uma subida constante. São José entrou na lista pela primeira vez em 2006, ocupando a posição 98. No ano seguinte, subiu 10 posições, colocando-se em 88º lugar. Já em 2008, subiu mais 17 posições, ficando com a 71ª colocação.

Chapecó subiu uma posição, passando da 83ª para a 84ª colocação.

A surpresa desta edição do ranking foi a entrada de Criciúma e a saída de São Bento do Sul. Criciúma, presente no ranking desde 2004, havia ficado de fora em 2007. Retornou ocupando a posição 92. Já São Bento do Sul, que fez sua estréia na lista em 2007, ocupando a posição 87, ficou de fora do ranking em 2008.

JARAGUÁ DO SUL É DESTAQUE NA REVISTA VEJA

Em sua última edição, a revista Veja trouxe reportagem especial sobre os oito maiores pólos de desenvolvimento no país. Jaraguá do Sul ganhou duas páginas para ilustrar o potencial da indústria têxtil catarinense. Veja a seguir a íntegra da reportagem:

 

Jaraguá do Sul fica no nordeste de Santa Catarina, mas poderia estar na Europa. Na cidade, o índice de mortalidade infantil, 80% menor do que o brasileiro, é semelhante ao da Inglaterra. A taxa de analfabetismo beira zero, como na Suíça. A proporção de homicídios por habitante, um sexto da nacional, é parecida com a espanhola. As semelhanças não se restringem aos números. A influência européia é visível nos rostos brancos, nos cabelos loiros, na arquitetura, nas festas populares, nos pratos típicos e no motor de sua economia: a indústria têxtil. Imigrantes europeus, em especial os alemães, trouxeram os primeiros teares para Santa Catarina no fim do século XIX. No entorno de Jaraguá do Sul, pelo menos doze outras cidades dependem das tecelagens e confecções. A região é um exemplo acabado da capacidade do setor têxtil de melhorar o padrão de vida de uma comunidade, e nenhum caso é tão emblemático quanto o de Jaraguá do Sul.

Antes de ser um pólo têxtil, a cidade era um imenso arrozal. Jaraguá só se industrializou nos anos 60. Então, teares de fundo de quintal foram substituídos pelos maquinários de tecelagem e por confecções. A indústria nascente de Jaraguá se beneficiou do conhecimento técnico herdado dos europeus e da presença de uma ferrovia que liga a cidade ao porto de São Francisco do Sul e a importantes centros consumidores. Muitos agricultores migraram para a cidade a fim de trabalhar nas tecelagens. Para eles, as fábricas serviram como porta de entrada na classe média, processo semelhante ao que ocorreu em outros lugares do mundo nos quais a indústria têxtil prosperou. Os antigos arrozeiros passaram a ganhar mais, dispensaram seus filhos do trabalho e os mantiveram por mais tempo na escola. O equilíbrio econômico de Jaraguá foi abalado nos anos 90, quando o país abriu o mercado para os produtos estrangeiros. Para sobreviver, as tecelagens precisaram se modernizar. Desde 2000, as empresas locais se reorganizaram, cada uma a seu modo. Hoje, esse setor responde por 22% do PIB da cidade e ajuda a fazer de Jaraguá uma das cinqüenta cidades brasileiras com maior oferta de emprego. Um levantamento feito por VEJA mostra que, nesta década, o município foi o que melhor conseguiu combinar os desenvolvimentos econômico, populacional e social 

A Malwee sobressai entre as indústrias que melhor se reciclaram. A empresa foi fundada em 1906 como uma fábrica de laticínios. Carregava, então, o nome da família de alemães que a criou, Weege, que só descobriu sua vocação têxtil há quarenta anos. Mudou o nome para Malwee, contração de Malharias Weege. Depois que a concorrência chinesa nocauteou seu negócio, o grupo passou a investir no mercado interno e em produtos para as classes C e D. Hoje, a Malwee produz 36 milhões de peças ao ano e emprega 6 000 pessoas. O grupo passou a investir na qualificação de seus funcionários. Pagou, por exemplo, parte do curso de administração e do MBA da ex-bordadeira Deise Kotchella. Depois de formada, ela foi promovida ao setor de marketing. "Como esses cursos são caros, eu jamais teria condições de fazê-los sem a ajuda da Malwee", diz. A relação secular da empresa com Jaraguá produziu bons dividendos para a cidade. Há trinta anos, a companhia transformou uma área de 1,5 milhão de metros quadrados em parque, equipou-o com dezessete lagos artificiais, museu, churrasqueiras e quadras esportivas e abriu seu acesso ao público. Desde o ano passado, a Malwee passou a patrocinar um festival de música clássica e doou quatro harpas e um piano de cauda para um evento.

Enquanto a Malwee apostou nas classes emergentes, a Marisol, outra importante empresa têxtil local, resolveu focar a clientela mais rica. Nos anos 90, seu negócio produzia peças de baixo valor agregado. Desde 2000, passou a investir em design e em grifes renomadas. Para coordenar essa guinada, o grupo até trocou de comando. Filho de Vicente Donini, o fundador da empresa, o arquiteto Giuliano Donini, de 33 anos, assumiu o comando. Em 2005, a Marisol comprou a grife Pakalolo e, no ano seguinte, a Rosa Chá. No mesmo ano, inaugurou uma loja em Milão, vizinha à da Prada e à da Dolce&Gabbana. Melhor das pernas, a empresa passou a investir em um programa de reintegração social de ex-presidiários, fornecendo emprego a eles. Experiências assim já são uma tradição em Jaraguá. Há vinte anos suas escolas públicas mantêm um educador para cada grupo de oito crianças. O programa foi custeado, em parte, pelas empresas locais. No fim dos anos 90, as tecelagens instalaram uma UTI infantil e um banco de sangue no hospital municipal. Iniciativas como essas mostram o empenho do empresariado local em constituir um tecido social mais homogêneo e resistente.

 
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